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Segurança

Ataques digitais em Mato Grosso: o que três casos ensinam às empresas

6 min de leitura por Equipe TRIAT

Veja o que a Operação Rede Oculta e os ataques à saúde em MT ensinam, e as rotinas que ajudam sua empresa a detectar ameaças antes do prejuízo.

Sala de servidores com fileiras de computadores em prateleiras, iluminadas por luzes azuis.
Foto: BalticServers.com, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Assista ao resumo em vídeoO artigo em menos de um minuto, com narração

Na quinta-feira, 29 de outubro, a Polícia Civil prendeu quatro pessoas em Cuiabá e Várzea Grande, suspeitas de aplicar golpes pela internet. No domingo, 1º de novembro, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso sofreu um novo ataque hacker e suspendeu os sistemas das suas unidades. Na terça, 3 de novembro, as UPAs de Cuiabá abriram fichas de atendimento à mão, depois que parte da rede municipal foi isolada como medida preventiva.

Foram três casos em seis dias, todos aqui no estado. Nenhum deles envolve tecnologia exótica. Envolvem golpes por mensagem, sistemas fora do ar e equipes trabalhando no papel enquanto a TI tenta entender o que aconteceu.

A pergunta que fica para qualquer empresa é direta: se algo assim acontecesse hoje no seu ambiente, você perceberia a ameaça antes do prejuízo?

O que aconteceu em cada caso

Data Caso O que se sabe
29/10 Operação Rede Oculta Segunda fase de investigação sobre golpes com anúncios falsos de veículos e falsos parentes ou funcionários de banco. Prejuízo identificado de R$ 414.093.
1º/11 Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) Novo ataque hacker, o segundo do ano. Sistemas das unidades suspensos para verificação de segurança.
3/11 Saúde municipal de Cuiabá Isolamento temporário de ambientes da rede. UPAs funcionando com fichas manuais.

Operação Rede Oculta: o golpe chega pela conversa

Segundo a Polícia Civil, o grupo usava redes sociais e sites de compra e venda para atrair vítimas com anúncios falsos de veículos. Também se passava por parentes das vítimas ou por funcionários de bancos. Depois do Pix, o dinheiro era dividido em parcelas menores que R$ 10 mil entre contas de terceiros, para dificultar o rastreamento.

O ponto que interessa à empresa: esse tipo de golpe não precisa invadir nenhum sistema. Ele convence uma pessoa a fazer a transferência. Num escritório, o equivalente é o financeiro que recebe uma mensagem do "diretor" pedindo um pagamento urgente, ou um boleto de fornecedor com os dados bancários trocados.

A própria Polícia Civil orienta confirmar por ligação qualquer pedido de dinheiro recebido por mensagem, mesmo quando o contato usa o nome ou a foto de alguém conhecido. Vale como regra interna para pagamentos.

SES-MT: o segundo ataque no mesmo ano

A secretaria informou que os sistemas das unidades ficaram suspensos para verificações de segurança e seriam restabelecidos aos poucos. Serviços essenciais, como regulação de urgência e atendimento hospitalar, continuaram, com limitações de acesso à rede.

Em março, segundo o Ministério Público de Mato Grosso, um ataque à mesma pasta destruiu arquivos e teria usado o LockBit, um ransomware conhecido. Ransomware é o programa malicioso que torna os dados inacessíveis, geralmente com criptografia, e cobra resgate para devolvê-los. De acordo com a promotoria, o criminoso pediu 500 mil dólares em bitcoin.

Cuiabá: isolar a rede para conter o risco

A Prefeitura não falou em ataque. Informou que adotou uma medida preventiva na infraestrutura, com o isolamento temporário de ambientes da rede municipal. O resultado foi a indisponibilidade de ferramentas eletrônicas e o atendimento com fichas de papel.

Isolar a rede é uma decisão correta quando há suspeita de incidente: corta o caminho de uma possível ameaça para outros sistemas. O custo é a operação mais lenta. Para uma empresa, a pergunta é se existe um plano para continuar trabalhando enquanto isso acontece.

O que esses casos mostram para uma empresa

O golpe mais comum mira pessoas. Antes de qualquer firewall, alguém precisa desconfiar de um pedido fora do padrão.

Ataques se repetem. A SES-MT foi alvo duas vezes em 2026. Quem já sofreu um incidente e não corrigiu a causa continua exposto.

A indisponibilidade custa caro mesmo sem vazamento. Horas sem sistema significam pedidos parados, notas não emitidas e equipe ociosa.

Detectar cedo muda o tamanho do estrago. Segundo o CERT.br, o ransomware costuma procurar outros dispositivos ligados na rede para criptografá-los também. Quanto antes a ameaça aparece num alerta, menos máquinas ela alcança.

O CERT.br, centro de resposta a incidentes do NIC.br, lista as formas mais comuns de infecção por ransomware: e-mails com anexo ou link malicioso e falhas em sistemas sem as atualizações de segurança.

Prevenção na prática

A segurança de uma pequena ou média empresa não depende de um único produto. Depende de algumas rotinas bem feitas.

Frente O que fazer Por quê
Atualizações Aplicar correções em sistemas, servidores e firewall num calendário fixo Fecha falhas que o ransomware explora
Acessos Senha forte e autenticação em dois fatores (MFA) no e-mail, VPN e sistemas na nuvem Senha vazada sozinha deixa de abrir a porta
Backup Cópias regulares, uma delas fora da rede ou imutável, com teste de restauração Segundo o CERT.br, é a única garantia de recuperar os dados
Rede Separar computadores, servidores, câmeras e visitantes em redes diferentes Limita até onde uma infecção chega
Monitoramento Alertas de login estranho, arquivos sendo alterados em massa e serviços parando Mostra o problema antes que ele vire parada
Pessoas Regra de confirmar pagamentos por telefone e treinamento curto contra golpes O golpe de mensagem não passa pelo antivírus

MFA, autenticação multifator, é a exigência de uma segunda prova além da senha, como um código no celular. Um backup imutável é uma cópia que não pode ser alterada nem apagada durante um período definido, nem por quem tem a senha de administrador.

O guia de ransomware da CISA, agência de cibersegurança dos Estados Unidos, recomenda manter backups offline e criptografados e testar a restauração com regularidade. Também recomenda ter um plano de resposta a incidentes escrito e treinado.

Tenha um plano para o dia do incidente

Os casos da saúde mostram que o atendimento continuou porque havia um procedimento manual. Na sua empresa, defina antes:

  1. quem decide desligar ou isolar a rede;
  2. quem avisa clientes, fornecedores e, se houver dados pessoais envolvidos, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD);
  3. como o comercial e o financeiro continuam trabalhando sem o sistema por um dia;
  4. de onde vem a restauração e quanto tempo ela leva.

Por onde começar esta semana

  • Liste os sistemas sem os quais a empresa para e quem é o responsável por cada um.
  • Ative o MFA no e-mail e no acesso remoto de todos os usuários.
  • Confira a data do último backup e restaure um arquivo de teste.
  • Verifique se há uma cópia fora da rede da empresa.
  • Crie a regra de confirmar por telefone qualquer pedido de pagamento por mensagem.
  • Veja se alguém recebe e lê os alertas do firewall e dos servidores.

Se algum item ficou sem resposta, é ali que o risco está. A TRIAT pode avaliar o ambiente da sua empresa e ajudar a montar essas rotinas, do backup ao monitoramento.

Fontes

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