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Fortinet

IPS no FortiGate: barrando o ataque na porta que precisa ficar aberta

5 min de leitura por Equipe TRIAT
Duas câmeras de segurança apontadas para lados opostos
Foto: Scott Webb · Unsplash

Firewall bloqueia o que não deveria estar aberto. Mas e o que precisa estar aberto? Seu servidor web atende na porta 443 porque essa é a função dele. O atacante não vai tentar derrubar a porta — vai entrar pela porta que já está aberta, explorando uma falha na aplicação que atende ali.

É exatamente essa lacuna que o IPS preenche: ele inspeciona o conteúdo do tráfego permitido, procurando o padrão de uma tentativa de exploração.

IDS, IPS e por que a diferença importa

Os dois analisam o mesmo tráfego. A diferença está no que fazem depois:

  • IDS (detecção) observa e alerta. O ataque acontece; você fica sabendo;
  • IPS (prevenção) fica no caminho do tráfego e corta a conexão antes de o pacote chegar ao destino.

No FortiGate, o IPS opera em linha por padrão. Ele decide em milissegundos, o que traz uma consequência importante: um falso positivo derruba tráfego legítimo. Por isso a implantação precisa ser feita em etapas, e não com tudo ligado no primeiro dia.

Como o IPS reconhece um ataque

A base é um conjunto de assinaturas mantido pelo FortiGuard, o laboratório de pesquisa da Fortinet. Cada assinatura descreve o padrão de uma tentativa de exploração de uma vulnerabilidade específica — não do arquivo do malware, mas do comportamento da exploração.

Essa distinção é o que torna o IPS valioso. Uma assinatura para uma falha conhecida do Apache detecta qualquer ferramenta que tente explorá-la, inclusive uma escrita ontem. Ela protege a versão vulnerável do software enquanto você não consegue atualizar — e "não consigo atualizar agora" é a realidade de muito sistema legado.

É comum chamar isso de virtual patching: enquanto o fornecedor do sistema não libera a correção — ou enquanto a janela de manutenção não chega —, o IPS impede que a falha seja explorada. Não substitui a atualização, mas compra tempo com segurança.

Montando um sensor que faz sentido

Ligar todas as assinaturas existentes é a receita para lentidão e falso positivo. O sensor deve refletir o que você realmente tem na rede.

config ips sensor
    edit "servidores-web"
        config entries
            edit 1
                set severity high critical
                set status enable
                set action block
                set log enable
                set log-packet enable
            next
            edit 2
                set application Apache Nginx PHP MySQL
                set status enable
                set action block
            next
            edit 3
                set severity medium
                set status enable
                set action pass
                set log enable
            next
        end
    next
end

A lógica em três camadas: bloquear tudo que é crítico ou alto; bloquear o que atinge especificamente o software que você roda; e apenas registrar o que é de severidade média, para revisar depois sem correr risco de derrubar serviço.

A implantação em três fases

Esta é a parte que separa uma instalação que protege de uma que é desligada no terceiro dia.

Fase 1 — só observar (duas semanas)

Todas as assinaturas com ação pass e log habilitado. O IPS não bloqueia nada, só registra. Ao fim, você tem o retrato do que realmente acontece na sua rede.

Fase 2 — revisar o que apareceu

Analise os registros e separe em três grupos: ataques reais (a maior parte vem da internet, varrendo tudo o tempo todo), falsos positivos, e comportamento interno estranho que ninguém sabia que existia — costuma ser um sistema antigo fazendo algo de forma pouco ortodoxa.

Para os falsos positivos, crie exceções por assinatura e por origem, nunca desligando a assinatura inteira:

config ips sensor
    edit "servidores-web"
        config entries
            edit 10
                set rule 12345
                set status enable
                set action pass
                set exempt-ip
                    edit 1
                        set src-ip 192.168.10.50 255.255.255.255
                    next
                end
            next
        end
    next
end

Fase 3 — bloquear, por camadas

Comece bloqueando severidade crítica e alta. Acompanhe por uma semana. Depois avance para média nos segmentos onde faz sentido. Tenha alguém de plantão nas primeiras 48 horas de cada etapa.

Nunca ligue bloqueio em massa numa sexta-feira à tarde. Parece óbvio, mas é o erro mais repetido: o problema aparece no sábado, quando ninguém está disponível para diagnosticar, e a solução improvisada é desligar tudo — perdendo semanas de ajuste fino.

Onde posicionar o IPS

Erro comum: aplicar IPS somente na política de saída para a internet. Isso protege contra o que vem de fora, mas ignora o movimento lateral — o atacante que já entrou e se espalha internamente.

Distribua conforme o sentido do tráfego:

  • Internet → DMZ: sensor rigoroso, focado no software que os servidores publicados executam;
  • Internet → interna: bloqueio de crítico e alto;
  • Interna → DMZ: sim, também aqui. Estação comprometida atacando o servidor interno é cenário comum;
  • Entre VLANs: é o que transforma segmentação em contenção de verdade.

O custo em desempenho

IPS consome recurso, e ignorar isso leva a firewall saturado. O impacto depende de quantas assinaturas estão ativas e se há inspeção profunda de HTTPS junto.

Duas recomendações práticas: dimensione pelo número de Threat Protection da folha de especificação, não pelo de firewall puro; e mantenha sensores enxutos, específicos por segmento, em vez de um sensor gigante aplicado a tudo.

Só serve se alguém olhar

Um IPS bloqueando em silêncio protege, mas não informa. Os registros contam coisas que mudam decisões:

  • um pico de tentativas contra um serviço específico indica campanha em andamento contra aquela vulnerabilidade;
  • tentativas partindo de um IP interno são um alerta de máquina comprometida, e devem gerar chamado imediato;
  • a mesma assinatura disparando sempre no mesmo horário costuma ser um sistema interno mal configurado, não um ataque.

Envie esses eventos para o sistema de alertas que a equipe já acompanha. IPS cujo relatório ninguém abre acaba virando uma linha de custo sem retorno visível.

A TRIAT implanta IPS Fortinet com esse processo em fases, ajusta os sensores ao que existe na sua rede e integra os eventos ao monitoramento 24/7 — para que bloqueio relevante vire chamado, e não uma linha perdida em um relatório mensal.

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