IPS no FortiGate: barrando o ataque na porta que precisa ficar aberta
Firewall bloqueia o que não deveria estar aberto. Mas e o que precisa estar aberto? Seu servidor web atende na porta 443 porque essa é a função dele. O atacante não vai tentar derrubar a porta — vai entrar pela porta que já está aberta, explorando uma falha na aplicação que atende ali.
É exatamente essa lacuna que o IPS preenche: ele inspeciona o conteúdo do tráfego permitido, procurando o padrão de uma tentativa de exploração.
IDS, IPS e por que a diferença importa
Os dois analisam o mesmo tráfego. A diferença está no que fazem depois:
- IDS (detecção) observa e alerta. O ataque acontece; você fica sabendo;
- IPS (prevenção) fica no caminho do tráfego e corta a conexão antes de o pacote chegar ao destino.
No FortiGate, o IPS opera em linha por padrão. Ele decide em milissegundos, o que traz uma consequência importante: um falso positivo derruba tráfego legítimo. Por isso a implantação precisa ser feita em etapas, e não com tudo ligado no primeiro dia.
Como o IPS reconhece um ataque
A base é um conjunto de assinaturas mantido pelo FortiGuard, o laboratório de pesquisa da Fortinet. Cada assinatura descreve o padrão de uma tentativa de exploração de uma vulnerabilidade específica — não do arquivo do malware, mas do comportamento da exploração.
Essa distinção é o que torna o IPS valioso. Uma assinatura para uma falha conhecida do Apache detecta qualquer ferramenta que tente explorá-la, inclusive uma escrita ontem. Ela protege a versão vulnerável do software enquanto você não consegue atualizar — e "não consigo atualizar agora" é a realidade de muito sistema legado.
Montando um sensor que faz sentido
Ligar todas as assinaturas existentes é a receita para lentidão e falso positivo. O sensor deve refletir o que você realmente tem na rede.
config ips sensor
edit "servidores-web"
config entries
edit 1
set severity high critical
set status enable
set action block
set log enable
set log-packet enable
next
edit 2
set application Apache Nginx PHP MySQL
set status enable
set action block
next
edit 3
set severity medium
set status enable
set action pass
set log enable
next
end
next
end
A lógica em três camadas: bloquear tudo que é crítico ou alto; bloquear o que atinge especificamente o software que você roda; e apenas registrar o que é de severidade média, para revisar depois sem correr risco de derrubar serviço.
A implantação em três fases
Esta é a parte que separa uma instalação que protege de uma que é desligada no terceiro dia.
Fase 1 — só observar (duas semanas)
Todas as assinaturas com ação pass e log habilitado. O IPS não bloqueia nada, só registra. Ao fim, você tem o retrato do que realmente acontece na sua rede.
Fase 2 — revisar o que apareceu
Analise os registros e separe em três grupos: ataques reais (a maior parte vem da internet, varrendo tudo o tempo todo), falsos positivos, e comportamento interno estranho que ninguém sabia que existia — costuma ser um sistema antigo fazendo algo de forma pouco ortodoxa.
Para os falsos positivos, crie exceções por assinatura e por origem, nunca desligando a assinatura inteira:
config ips sensor
edit "servidores-web"
config entries
edit 10
set rule 12345
set status enable
set action pass
set exempt-ip
edit 1
set src-ip 192.168.10.50 255.255.255.255
next
end
next
end
next
end
Fase 3 — bloquear, por camadas
Comece bloqueando severidade crítica e alta. Acompanhe por uma semana. Depois avance para média nos segmentos onde faz sentido. Tenha alguém de plantão nas primeiras 48 horas de cada etapa.
Onde posicionar o IPS
Erro comum: aplicar IPS somente na política de saída para a internet. Isso protege contra o que vem de fora, mas ignora o movimento lateral — o atacante que já entrou e se espalha internamente.
Distribua conforme o sentido do tráfego:
- Internet → DMZ: sensor rigoroso, focado no software que os servidores publicados executam;
- Internet → interna: bloqueio de crítico e alto;
- Interna → DMZ: sim, também aqui. Estação comprometida atacando o servidor interno é cenário comum;
- Entre VLANs: é o que transforma segmentação em contenção de verdade.
O custo em desempenho
IPS consome recurso, e ignorar isso leva a firewall saturado. O impacto depende de quantas assinaturas estão ativas e se há inspeção profunda de HTTPS junto.
Duas recomendações práticas: dimensione pelo número de Threat Protection da folha de especificação, não pelo de firewall puro; e mantenha sensores enxutos, específicos por segmento, em vez de um sensor gigante aplicado a tudo.
Só serve se alguém olhar
Um IPS bloqueando em silêncio protege, mas não informa. Os registros contam coisas que mudam decisões:
- um pico de tentativas contra um serviço específico indica campanha em andamento contra aquela vulnerabilidade;
- tentativas partindo de um IP interno são um alerta de máquina comprometida, e devem gerar chamado imediato;
- a mesma assinatura disparando sempre no mesmo horário costuma ser um sistema interno mal configurado, não um ataque.
Envie esses eventos para o sistema de alertas que a equipe já acompanha. IPS cujo relatório ninguém abre acaba virando uma linha de custo sem retorno visível.
A TRIAT implanta IPS Fortinet com esse processo em fases, ajusta os sensores ao que existe na sua rede e integra os eventos ao monitoramento 24/7 — para que bloqueio relevante vire chamado, e não uma linha perdida em um relatório mensal.
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