FortiGate: o que um firewall de próxima geração realmente faz
Muita empresa acha que tem firewall porque tem o roteador do provedor. Aquele equipamento faz NAT e bloqueia porta — o que já foi suficiente em 2005, quando o tráfego malicioso vinha por portas identificáveis. Hoje praticamente tudo passa por 443, criptografado, e distinguir uma videochamada legítima de uma exfiltração de dados exige olhar o conteúdo, não o número da porta.
É essa a diferença entre um firewall tradicional e um NGFW — firewall de próxima geração. O FortiGate é um deles.
A diferença prática
Um firewall tradicional decide com base em quatro informações: origem, destino, porta e protocolo. Um NGFW acrescenta três dimensões que mudam tudo:
- Identidade da aplicação — ele reconhece que aquele tráfego HTTPS é o Dropbox, e não um site qualquer;
- Identidade do usuário — a regra vale para a pessoa, não para o IP da estação, o que sobrevive a DHCP e a notebook que troca de mesa;
- Inspeção de conteúdo — o que trafega é examinado em busca de malware e de padrões de ataque conhecidos.
Como uma política é montada
No FortiOS, o sistema do FortiGate, tudo gira em torno da política de firewall. Cada uma define de onde para onde o tráfego vai, o que é permitido, e — a parte importante — quais perfis de segurança se aplicam.
config firewall policy
edit 0
set name "financeiro-para-internet"
set srcintf "vlan-financeiro"
set dstintf "wan1"
set srcaddr "all"
set dstaddr "all"
set action accept
set schedule "horario-comercial"
set service "ALL"
set utm-status enable
set ssl-ssh-profile "certificate-inspection"
set av-profile "default"
set ips-sensor "default"
set application-list "corporativo"
set webfilter-profile "corporativo"
set nat enable
set logtraffic all
next
end
Repare que a política em si é simples. A inteligência mora nos perfis referenciados por ela — antivírus, IPS, controle de aplicação e filtro web —, que podem ser reaproveitados em quantas políticas você quiser. Ajustar um perfil ajusta todas as regras que o usam.
Os perfis de segurança, um por um
Cada um resolve um problema diferente e vale a pena entender a divisão:
- AntiVirus — inspeciona arquivos em trânsito, bloqueando malware antes de chegar à estação;
- IPS — reconhece tentativas de exploração de vulnerabilidades e corta a conexão. É o assunto do artigo sobre IPS;
- Application Control — identifica e controla aplicações, independentemente da porta usada;
- Web Filter — classifica sites por categoria e aplica a política de navegação;
- DNS Filter — bloqueia domínios maliciosos já na resolução de nome, antes de a conexão existir;
- File Filter — barra tipos de arquivo por extensão e conteúdo real, não só pelo nome;
- DLP — detecta padrões sensíveis saindo da rede, como CPF ou número de cartão.
O problema do tráfego criptografado
Aqui está o ponto que separa uma implantação eficaz de uma decorativa. Se mais de 90% do tráfego é HTTPS e o firewall não consegue olhar dentro dele, antivírus e IPS ficam praticamente cegos.
O FortiGate oferece dois modos:
- Certificate inspection — examina apenas o certificado e o nome do site. Permite categorizar e bloquear por domínio, mas não enxerga o conteúdo. Não quebra nada e é o ponto de partida seguro;
- Deep inspection — o firewall termina a sessão TLS, inspeciona o conteúdo e reabre uma nova sessão até o destino. Enxerga tudo, e é o que dá poder real ao antivírus e ao IPS.
Dimensionar sem se enganar
A tabela de desempenho de qualquer fabricante traz números de throughput bem diferentes conforme o que está ligado. O número grande, de firewall puro, é o que menos importa.
| Métrica | O que significa |
|---|---|
| Firewall throughput | Só NAT e regras. O maior número da tabela e o menos representativo |
| IPS throughput | Com prevenção de intrusão ativa. Já cai bastante |
| Threat Protection | Com antivírus, IPS e controle de aplicação juntos. É este que você deve olhar |
| SSL Inspection | Com inspeção profunda de HTTPS. Costuma ser o menor de todos |
Dimensione pelo número de Threat Protection, considerando o crescimento dos próximos três anos, e com folga se você pretende ligar inspeção profunda. Firewall subdimensionado não trava: ele fica lento, e a reação natural da equipe é desligar as proteções para "resolver a lentidão" — o pior desfecho possível.
O que mais vem junto
Além da inspeção, o FortiGate acumula funções que costumavam exigir caixas separadas:
- VPN site a site e de acesso remoto, com IPsec ou SSL;
- SD-WAN, para usar vários links de internet de forma inteligente;
- VLANs e segmentação, isolando setores dentro da própria rede;
- Alta disponibilidade, com dois equipamentos em cluster;
- VDOMs, que dividem um mesmo appliance em firewalls virtuais independentes.
O erro mais comum
É comprar o equipamento, ligar, deixar tudo em modo monitor e nunca voltar. O FortiGate passa a ser um roteador caro que gera relatório bonito.
Uma implantação que funciona segue outro caminho: liga em monitoramento por duas semanas para entender o tráfego real, revisa o que apareceu, define exceções, e só então passa a bloquear — categoria por categoria, com alguém acompanhando as primeiras reclamações. Depois disso, revisa as regras a cada seis meses, porque a rede muda.
A TRIAT projeta, implanta e monitora Fortinet — do dimensionamento à revisão periódica das políticas, com o firewall integrado ao monitoramento 24/7.
Precisa disso rodando na sua empresa?
A TRIAT implanta e monitora Linux, storage, virtualização, redes e segurança — do projeto ao suporte 24/7.
Falar com um especialista

