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TrueNAS

Snapshots e replicação no TrueNAS para backup 3-2-1

5 min de leitura por Equipe TRIAT
Cabos azuis conectando servidores em um rack
Foto: imgix · Unsplash

Backup não é copiar arquivo — é garantir que você consegue voltar no tempo depois de um incidente. A diferença aparece no pior momento: quem tem cópia de arquivo recupera o que copiou por último; quem tem histórico escolhe o momento para o qual quer voltar. O TrueNAS torna isso quase automático com snapshots e replicação.

Snapshots: sua máquina do tempo

Um snapshot congela o estado do dataset naquele instante. Como o ZFS nunca sobrescreve dados no lugar — ele grava blocos novos e atualiza os ponteiros —, criar um snapshot é apenas marcar os blocos atuais para que não sejam liberados. Por isso é instantâneo e, no momento da criação, não ocupa espaço nenhum.

O consumo cresce só conforme os dados mudam: se um arquivo de 1 GB é alterado, o snapshot passa a segurar a versão antiga daquele bloco. Um dataset com pouca alteração pode manter centenas de snapshots consumindo muito pouco.

Na prática, isso significa que ransomware criptografou tudo, ou um arquivo foi apagado por engano, e você restaura o estado anterior em segundos — sem depender de cópia externa, sem esperar transferência.

Uma política de retenção que funciona

Tarefas periódicas de snapshot:
  a cada 1 hora   -> mantém por 2 dias      (erro operacional recente)
  a cada 1 dia    -> mantém por 2 semanas   (problema percebido depois)
  a cada semana   -> mantém por 3 meses     (voltar a um estado antigo)
  a cada mês      -> mantém por 12 meses    (exigência contratual)

A camada horária é a que mais salva no dia a dia — é ela que atende o "eu salvei por cima do arquivo errado" às dez da manhã. A mensal quase nunca é usada, e é justamente por isso que precisa existir.

Ative os Shadow Copies no compartilhamento SMB. Com isso, o usuário de Windows clica com o botão direito na pasta, escolhe "Versões anteriores" e restaura sozinho a partir dos snapshots do ZFS — sem abrir chamado. É o recurso que mais reduz atendimento em empresas com muitos arquivos.

O que snapshot não protege

Vale ser explícito, porque é onde muita gente se acomoda:

  • não protege contra falha do pool. Snapshot mora nos mesmos discos que o dado original;
  • não protege contra incêndio, furto ou alagamento;
  • não protege contra alguém com acesso administrativo que apague os snapshots — e ransomware moderno procura exatamente por isso.

Snapshot é excelente contra erro humano e contra criptografia de arquivos. Contra perda física do equipamento, não faz nada. É aí que entra a replicação.

Replicação: a cópia que fica longe

A replicação envia os snapshots para um segundo TrueNAS — no outro rack, na outra unidade da empresa ou em um provedor. E ela é eficiente por natureza: o ZFS sabe exatamente quais blocos mudaram entre dois snapshots, então envia só a diferença.

A primeira replicação é completa e demorada. As seguintes transferem apenas o delta, o que torna viável replicar de hora em hora mesmo com link modesto.

Regra 3-2-1: 3 cópias dos dados, em 2 mídias diferentes, sendo 1 fora do local. O TrueNAS entrega os três pilares com tarefas agendadas: o dado original, os snapshots no mesmo pool e a replicação para o destino remoto. Os detalhes da regra estão no artigo sobre backup 3-2-1.

Proteger o destino do backup

Se o servidor de destino usa a mesma credencial administrativa do principal, um atacante que comprometeu um alcança o outro — e apaga as duas cópias. Alguns cuidados mudam bastante o cenário:

  • use chave SSH dedicada à replicação, com permissão restrita, e não a conta de administração;
  • configure a replicação em modo pull sempre que possível: o servidor remoto busca os dados, em vez de o principal enviar. Assim, quem compromete o principal não tem credencial para alcançar o destino;
  • mantenha a retenção do destino independente da origem, para que apagar snapshots no principal não apague no remoto;
  • credenciais e senhas de criptografia guardadas fora do ambiente que elas protegem.

Restaurar: como é na prática

Existem três caminhos, do mais leve ao mais completo:

  1. Um arquivo — navegar no diretório oculto do snapshot e copiar de volta. Segundos, sem afetar mais ninguém;
  2. Um dataset inteiro — reverter para o snapshot escolhido. Cuidado: isso descarta tudo que mudou depois dele;
  3. Clonar o snapshot — cria um dataset novo a partir do estado antigo, sem tocar no original. É o caminho certo quando você precisa comparar antes de decidir.

O clone é o recurso mais subutilizado. Ele permite montar o estado de ontem ao lado do de hoje, conferir e só então decidir — em vez de reverter às cegas sob pressão.

Teste, sempre

Backup que nunca foi restaurado é só uma esperança. E teste de verdade significa mais do que abrir a lista de snapshots e ver que ela está cheia:

  • restaure um arquivo aleatório e abra ele — um documento corrompido restaura sem erro e não abre;
  • faça um teste de restauração completa na unidade remota, ao menos uma vez por semestre;
  • cronometre quanto tempo levou. Esse número é a resposta para "em quanto tempo a gente volta?";
  • confirme que os alertas de falha de replicação estão chegando a alguém — tarefa que falha em silêncio há três semanas é o cenário mais comum de backup inexistente.
Monitore especificamente a data do último snapshot replicado com sucesso. É a métrica que revela um backup quebrado. Painel verde mostrando que o serviço está no ar não diz nada sobre a última replicação ter funcionado.

Juntando tudo

Uma configuração completa em um TrueNAS bem montado tem: snapshots frequentes com retenção em camadas, replicação para um segundo equipamento em local diferente, credencial isolada para a replicação, scrub mensal, alertas ligados e um teste de restauração agendado no calendário — não "quando der".

A TRIAT implanta e monitora esse conjunto, incluindo o teste periódico de restauração com relatório do tempo medido.

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